A cereja do look

Ciente do poder transformador dos acessórios, a administradora de empresas Nádia Gimenes usou a criatividade e o talento para trabalhos manuais e desenvolveu duas marcas próprias que têm, em comum, peças cheias de personalidade

Apesar de nutrir grande paixão por trabalhos manuais — até os 16 anos, não era raro encontrá-la costurando, bordando, fazendo crochê ou pintura nas horas livres — tornar-se uma bijoux designer nunca esteve nos planos de Nádia Gimenes. Formada em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), em 2002, logo começou a trabalhar na empresa da família, o Supermercado Gimenes. No entanto, quando o negócio foi vendido a um fundo de investimento, em 2006, decidiu dar novo rumo à carreira.
 
O gosto pelo universo da moda foi decisivo para o amadurecimento de um novo projeto: criar uma empresa de acessórios. “Sentia falta de algumas peças no mercado, então, decidi fabricá-las. Desde o princípio, minha intenção era criar os acessórios e vender no atacado, pois sempre preferi estar nos bastidores”, recorda Nádia, que é natural de Sertãozinho. A próxima etapa foi de pesquisas em grandes feiras do setor. Visitando os expositores, passou a entender mais sobre o mercado. Perguntava sobre tudo: preços, praças, termos para revenda. Nesse momento, a formação acadêmica teve grande importância e o negócio já nasceu bem estruturado. 
 
Enquanto isso, as primeiras peças iam surgindo na sala do seu apartamento. As criações colocadas nas prateleiras de algumas lojas não demoraram a encontrar admiradores. “Um ano depois, consegui ingressar em uma das feiras do setor, a Folheados e Associados. Mais um ano se passou até que eu pudesse participar da Bijoias, maior evento do gênero no Brasil”, pontua a bijoux designer. O caminho da, agora marca, Nádia Gimenes foi sendo trilhado pouco a pouco até 2012, quando surgiu a oportunidade de montar um showroom em São Paulo, na famosa rua Oscar Freire. Até hoje, é no local que a equipe da empresária recebe lojistas do Brasil todo.
 
No mesmo período, surgiu a oportunidade de desmembrar a marca que levava seu nome. Enquanto a Nádia Gimenes manteve o foco em peças atemporais, coleções marcantes e peças com cristais Swarovski, a Cosmopolitan segue o conceito “fast fashion”: é composta por acessórios mais acessíveis e carregados de tendências, desenvolvidos para atender ao público mais jovem. 
 
Até aqui, a bijoux designer calcula já ter desenvolvido aproximadamente 13 mil peças. “Pelo menos é isso que sugere nosso sistema de controle, que cataloga todos os itens”, brinca a empresária. A inspiração para tantas criações vem de desfiles de moda nos principais centros mundiais, como Paris e Nova Iorque, de pesquisas em meios especializados e, principalmente, do olhar de Nadia sobre as pessoas e as situações do dia a dia. “As peças-chaves de cada coleção nascem desse ‘feeling’, dessa capacidade de sentir o que as pessoas querem usar”, ressalta. A partir daí, a coleção vai tomando forma, unindo uma pela a outra, separando outras partes e assim por diante. O objetivo final é contar uma história que faça sentido na vida das clientes. São aproximadamente sete coleções por ano com cerca de 100 novidades — isso sem contar as variações de cor. 
 
Apesar de misturar diversos materiais, a resina é um dos diferenciais. “Esta matéria-prima garante um toque moderno e sofisticado às peças”, avalia Nádia. Jovens ou senhoras, suas clientes estão sempre em busca de uma peça bem feita, com acabamento de máxima qualidade e um toque de modernidade. A atual coleção da marca Nádia Gimenes tem como tema o Jardim Secreto, com muitas flores, insetos e bichos para valorizar qualquer look. Para a Cosmopolitan, a designer baseou suas criações no tema “Dolce far Niente”, em que faz uma leitura dos acessórios Dolce Gabbana. 
 
Neste momento, Nádia está focada no desenvolvimento da coleção alto verão da marca que leva seu nome, que sempre traz como referência uma praia ou cidade famosa por suas belezas naturais e pelo glamour que imprimem à estação mais quente do ano mundo afora. Capri, na Itália, Trancoso, na Bahia, e Phi Phi, na Tailândia, já serviram como inspiração para a bijoux designer. “Também estou focada no inverno de Nádia e na coleção Festas, para Cosmopolitan. As três serão lançadas em outubro, no Minas Trend, em Belo Horizonte”, antecipa Nádia, que também tem presença garantida na Veste Rio, que está entre as principais feiras do segmento direcionadas ao mercado atacado. A dedicação certamente está entre as razões que justificam a presença de suas marcas em mais de 280 pontos de venda no Brasil. Para que tudo funcione em harmonia, Nádia conta com uma equipe de 19 pessoas, alocadas em São Paulo e Sertãozinho, onde as peças são produzidas. Na cidade natal da designer, é possível encontrar as peças; em Ribeirão Preto, as criações estarão disponíveis em breve.