Hervé Léger Leroux, que marcou a moda principalmente nos anos 1990, morreu em outubro deste ano

O rei da bandagem

De cabeleireiro da Chloé a queridinho das celebridades, Hervé Legér registrou seu nome no cenário da moda ajustando as curvas femininas aos icônicos vestidos de bandagem

Ao falar em Kim Kardashian, a imagem que vem à mente, na maioria absoluta das vezes, é de curvas sinuosas evidenciadas por um vestido de bandagem. Esse é tema central da obra do estilista Hervé Léger Leroux, que não só marcou as formas das mulheres como também a moda dos anos 1990, ganhando os holofotes do segmento ao lado de Marc Jacobs e Jil Sander. Hervé morreu em 6 de outubro deste ano, aos 60 anos, vítima do rompimento de um aneurisma. 
 
O francês, nascido em Bapaume, começou como cabeleireiro dos desfiles da Chloé. Fascinado pelo que viu nos bastidores, começou a projetar chapéus. Em 1980, foi contratado por Karl Lagerfeld como assistente, primeiro para a Fendi e depois para a Chanel. Depois de prestar consultoria para empresas como Lanvin para Diane Von Furstenberg, fundou, segundo os conselhos de Karl, a própria marca de prêt-à-porter, a Hervé Léger, aos 28 anos. O sucesso foi instantâneo. Em 1993, já ganhava elogios pelas bandas elásticas que se juntavam para formar vestidos bem ajustados.
 
A marca chamou a atenção do grupo canadense Seagram, que se tornou um parceiro financeiro. Com Seagram como investidor, Hervé Léger cresceu rapidamente, ganhando reconhecimento mundial e empregando uma equipe de 60 funcionários. Essa história terminou em 1998, quando a Seagram vendeu a marca Hervé Léger ao grupo BCBG Max Azria. Um ano depois, o estilista foi demitido e perdeu os direitos sobre o nome. Ele decidiu, então, suprimir o Léger do nome para se tornar Hervé L. Leroux e lançar uma nova empresa, em 2000. 
 
Com essa nova marca, vestiu celebridades como Cate Blanchett, Penélope Cruz e Jessica Chastain. Entre 2004 e 2006, foi diretor criativo da Guy Laroche, onde desenvolveu o inesquecível vestido com o qual Hilary Swank recebeu o Oscar de melhor atriz, em 2005. Hervé Peugnet começou costurando com uma equipe pequena e, nesse segundo empreendimento, concentrou-se principalmente em seu trabalho de alta-costura e vestidos, com foco em silhuetas esculpidas e drapeadas. Já a linha prêt-à-porter, distribuída por vários varejistas, foi abandonada após as crises de 11 de setembro de 2008.
 
Em 2013, o designer voltou a ser destaque, ingressando no calendário oficial da Semana da Alta-Costura de Paris, convidado pela Chambre Syndicale. Cinco dos itens dessa coleção foram exibidos nas vitrines da boutique Colette e o estilista vendeu cerca de 200 vestidos de alta costura por ano. Ele seguiu até os últimos dias de vida projetando sua carreira como estilista sob o rótulo Leroux, tendo como fieis clientes famosas como Dita Von Teese e Kristen Stewart. 
 
Muitas personalidades brasileiras também aderiram ao icônico vestido de bandagem, nas últimas décadas. Gisele Bündchen e Marina Ruy Barbosa estão entre elas. Fernanda Lima usou um autêntico Hervé Léger no sorteio dos grupos da Copa do Mundo de 2014, chamando a atenção da imprensa estrangeira, inclusive, provocando polêmica internacional depois que a televisão do Irã decidiu cortar a transmissão ao vivo do evento por considerar o decote da brasileira inapropriado.
 
Hervé também deixou sua assinatura no teatro. Ele criou figurinos para a bailarina Zizi Jeanmaire, para o “Ballet de Marseille”, e para os espetáculos de balé “Camera Obscura” e “Le Lac des Cygne”, todos franceses e dirigidos pelo premiado coreógrafo Roland Petit.